LIBERDADE DE EXPRESSÃO
É notório que o volume de notícias sobre o cerceamento da liberdade de
imprensa vem crescendo nos últimos anos. Mais do que uma sensação de
mal-estar da modernidade, esse é um fato real. 'A liberdade global dos
profissionais em comunicação vem entrando em declínio em um processo
contínuo', declarou a palestrante do IV Congresso Brasileiro de
Publicidade, Judith Miller, jornalista reconhecida por sua atuação no New
York Times, pelo qual chegou a ficar presa por 50 dias por se negar a
revelar fontes de reportagem publicada no jornal.
O agravante nesse cenário é que de as restrições impostas à imprensa
implicam direta e incisivamente em restrições a outros setores da
sociedade democrática. 'A maioria dos países do mundo impõe severas
restrições à atuação dos jornalistas; nos últimos sete anos houve um
aumento de 10 vezes no número de jornalistas intimados a depor em
processos judiciais, mostrando a fragilidade das relações entre imprensa e
governo', afirma.
A situação não é diferente aqui na América Latina. 'É o caso de Cuba e da
Venezuela', diz Judith, que aproveita para elogiar a atuação brasileira.
'Nesse cenário, gostaria de parabenizar o Brasil por ter suspendido
recentemente 20 artigos da lei de imprensa editados na época da ditadura',
disse.
Efeito 11 de setembro
A jornalista acredita que os ataques terroristas de 11 de setembro, em
Nova York, e a morte de cinco americanos contaminados por antrax, foram
molas impulsionadoras desse retrocesso nas estruturas democráticas, que
colocaram em xeque a liberdade de imprensa. 'O fato é que nossas vidas
mudaram drasticamente após 11 de setembro, passamos a ser monitorados 24
horas por dia; passamos a ser vistos como um agente cobrador da segurança
pública', diz.
A questão, no entanto, passou a ser preocupante a partir do momento em que
essas ações começam a reprimir a liberdade civil. 'Hoje, podemos afirmar
categoricamente que temos menos liberdade e menos segurança'.
Novas mídias
Por outro lado, a explosão das mídias sociais - como blogs, sites
segmentados e publicações gratuitas on-line - vem de encontro a esse
cenário, como um respiro à tentativa de cerceamento das liberdades civis.
'O surgimento das novas mídias é uma verdadeira revolução, comparável à
revolução proporcionada pela imprensa de Gutenberg.' Elas certamente
facilitam o acesso e a disseminação de informações, mas sem esquecer que
também podem contribuir para a falta de clareza no jornalismo. 'Instala-se
aí uma confusão entre informação, opinião e entretenimento'.
Para fechar a palestra, Judith Miller contemporizou dizendo que é difícil
imaginar uma democracia verdadeiramente livre sem a liberdade e a
convivência das novas e das antigas mídias. 'Não há uma solução única para
essa problemática. O grande passo para isso, e o que considero como minha
obrigação, é a luta pela aprovação de uma lei especial para manter em
sigilo a identidade de nossas fontes', conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa do IV Congresso
Brasileiro de Publicidade