2004-2008
 



IV Congresso Brasileiro de Publicidade

LIBERDADE DE EXPRESSÃO


É notório que o volume de notícias sobre o cerceamento da liberdade de imprensa vem crescendo nos últimos anos. Mais do que uma sensação de mal-estar da modernidade, esse é um fato real. 'A liberdade global dos profissionais em comunicação vem entrando em declínio em um processo contínuo', declarou a palestrante do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, Judith Miller, jornalista reconhecida por sua atuação no New York Times, pelo qual chegou a ficar presa por 50 dias por se negar a revelar fontes de reportagem publicada no jornal.

O agravante nesse cenário é que de as restrições impostas à imprensa implicam direta e incisivamente em restrições a outros setores da sociedade democrática. 'A maioria dos países do mundo impõe severas restrições à atuação dos jornalistas; nos últimos sete anos houve um aumento de 10 vezes no número de jornalistas intimados a depor em processos judiciais, mostrando a fragilidade das relações entre imprensa e governo', afirma.

A situação não é diferente aqui na América Latina. 'É o caso de Cuba e da Venezuela', diz Judith, que aproveita para elogiar a atuação brasileira. 'Nesse cenário, gostaria de parabenizar o Brasil por ter suspendido recentemente 20 artigos da lei de imprensa editados na época da ditadura', disse.

Efeito 11 de setembro

A jornalista acredita que os ataques terroristas de 11 de setembro, em Nova York, e a morte de cinco americanos contaminados por antrax, foram molas impulsionadoras desse retrocesso nas estruturas democráticas, que colocaram em xeque a liberdade de imprensa. 'O fato é que nossas vidas mudaram drasticamente após 11 de setembro, passamos a ser monitorados 24 horas por dia; passamos a ser vistos como um agente cobrador da segurança pública', diz.

A questão, no entanto, passou a ser preocupante a partir do momento em que essas ações começam a reprimir a liberdade civil. 'Hoje, podemos afirmar categoricamente que temos menos liberdade e menos segurança'.

Novas mídias

Por outro lado, a explosão das mídias sociais - como blogs, sites segmentados e publicações gratuitas on-line - vem de encontro a esse cenário, como um respiro à tentativa de cerceamento das liberdades civis. 'O surgimento das novas mídias é uma verdadeira revolução, comparável à revolução proporcionada pela imprensa de Gutenberg.' Elas certamente facilitam o acesso e a disseminação de informações, mas sem esquecer que também podem contribuir para a falta de clareza no jornalismo. 'Instala-se aí uma confusão entre informação, opinião e entretenimento'.

Para fechar a palestra, Judith Miller contemporizou dizendo que é difícil imaginar uma democracia verdadeiramente livre sem a liberdade e a convivência das novas e das antigas mídias. 'Não há uma solução única para essa problemática. O grande passo para isso, e o que considero como minha obrigação, é a luta pela aprovação de uma lei especial para manter em sigilo a identidade de nossas fontes', conclui.

Fonte: Assessoria de Imprensa do IV Congresso Brasileiro de Publicidade