Tradição e inovação: a dicotomia do esporte no rádio

MEIO&MENSAGEM

Emissoras levam seu conteúdo para o Youtube e inovam em ações para as marcas e para atrair o público


 


Valeria Contado
1 de agosto de 2022 - 
6h00



 


Emissoras apostam no YouTube como plataforma de transmissão (Crédito: Reprodução / Energia 97)


Perto de completar 100 anos, o rádio é o meio de comunicação eletrônico mais tradicional do Brasil. Seja para notícias diárias ou para transmissões esportivas, as equipes dos veículos atuais buscam espaço em um ambiente repleto de plataformas de streaming concorrentes e facilidades promovidas pela internet. Esse movimento faz com que muitas emissoras tenham de buscar formas de inovar para trazer o público mais para perto e, também, para se conectar com as marcas.


O mercado de transmissão esportiva vive, conforme diz o gerente de esporte da Jovem Pan, Gabriel Dias, uma pulverização do conteúdo. Isso se deve ao fato de existir uma gama de veículos de mídia diferentes transmitindo futebol. Os streamings passaram a investir bastante em conteúdo ao vivo. Exemplo disso é a Prime Video, dona dos direitos de transmissão de algumas partidas da Copa do Brasil. O jogo entre Palmeiras e São Paulo, válido pelas oitavas de final da temporada atual, foi exibido com exclusividade no Prime Video – e assistido por mais de 190 mil espectadores na transmissão do áudio feita pela Jovem Pan.


 


O diretor de esportes da Band, Denis Gavazzi, não acredita que as emissoras de rádio competem diretamente com os streamings pelo fato de essas plataformas terem direitos de imagem e som. “São como uma PayTV, enquanto nós somos rádio, algo completamente diferente. Fazer transmissão de áudio e o vídeo é um adicional dentro do YouTube”, comenta. “Somos uma emissora tradicional de transmissão de futebol e mostramos para o público o trabalho que já é realizado há 85 anos na Rádio Bandeirantes” complementa o diretor.


Já, o coordenador artístico da Energia 97, Hilton Malta, enxerga uma concorrência menos direta já que, os streamings alcançam uma parcela selecionada, seja pela acessibilidade ou por ser um serviço pago. “Além de gratuito, não podemos esquecer da mobilidade que só o FM traz, permitindo que o ouvinte possa realizar muitas tarefas simultâneas e ainda acompanhar seu time”, diz.


 


Personalização, alcance e público


Por conta do apelo e facilidade da internet, o Youtube se tornou uma das plataformas oficiais das rádios para a transmissão de competições esportivas. O modelo não segue o preceito do rádio de não ter imagens ou com a estratégia de contar uma história somente através do som, mas permite que recursos sejam utilizados para ampliar o alcance da transmissão.


A Jovem Pan foi uma das pioneiras ao levar a transmissão do futebol para um canal no YouTube e foi essa a forma que a rede encontrou de manter a tradição que é tão característica da rádio, ao mesmo tempo em que se conecta com novos públicos. “O fato de as transmissões estarem pulverizadas acaba criando uma dificuldade de as pessoas encontrarem os jogos. Então, então elas vão para o [meio] tradicional”, explica.


No âmbito comercial, as transmissões no Youtube possibilitam que novas ferramentas envelopem as entregas para os parceiros. As emissoras podem entregar aos anunciantes inserções em vídeo – semelhantes às que a Globo insere durante os jogos transmitidos pelo canal – e que é um plus para os parceiros, facilitando uma entrega customizada de acordo com a necessidade da marca.


As redes sociais das emissoras também crescem à medida que o conteúdo é replicado e procurado pelos torcedores. “Temos os melhores momentos dos jogos e o espectador consegue ver os narradores em tempo real. Temos a tradição do rádio em outra cara”, diz Dias.


A Rádio Bandeirantes diz que levar seu conteúdo para a plataforma digital também ajudou a conquistar o público mais jovem, que é um consumidor nativo desse tipo de comunicação.


A Energia 97, por exemplo, afirma que consegue entregar um conteúdo personalizado para os torcedores dos quatro principais clubes da Capital Paulista (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo), e isso faz a diferença para o público e na montagem da equipe. Com narradores que assumem os times que torcem, uma narração mais “clubista” ajuda a conquistar a empatia dos torcedores. “Esse diferencial já nos faz brigar pela liderança de audiência não só no FM como também nas plataformas on-line, principalmente o Youtube”, diz Malta.


 


Outro ponto que a transmissão online facilitou para as rádios foi a questão do alcance, já que, por não ter um canal – como é o caso do FM – não há limitação territorial, fazendo com que as transmissões ultrapassem as fronteiras físicas.

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